segunda-feira, 9 de junho de 2014

Vida, sujeito elíptico

Segunda-feira-nove-de-junho-de-dois-mil-e-catorze e a vida continua.
O trânsito para. A pista enche. O ônibus atrasa. O esporro vem. A irritação também. A gente acha que vai melhorar. Não melhora. E a vida continua.
O salário só na sexta. O fim de semana só na sexta. A alegria só na sexta. A gente espera a semana toda pela sexta. E a vida continua.
A gordura enche as veias, o açúcar afina o sangue. A gente come sem fome. E a falta de fibra empreguiça a barriga. A saúde anda mal. Mal andamos. A gente passa o dia com a bunda na cadeira. O dia também passa. E a vida continua.
A fulana de tal e do mal (mau-humor) fala blabla. A sicrana do nariz empinado completa a amolação com pipipi. O ouvido pinica. Logo sangra. Quero gritar. Haja saco para tanto pé. Haja pé para tanto fundo (não há). E a vida continua.
E o tempo não passa.
O relógio ameaça greve. Ameaça pa-ra-li-zar. Ou me usam melhor, diz o Tempo, ou eu aqui fico. Fincado. O pé enfiado na Jaca. Ninguém me tira. Ninguém me obriga. E a segunda vira terça, vira quarta, vira quinta e vira sexta. Benhaqui no coração.  Mas as quatro não chegam, nem as cinco, nem as seis. E a vida continua.
Chega as dezoito e dezoito e o ônibus meia-cinco-cinco. Ônibus lotado. De gente, de cheiro, de enxaqueca, de buraco. Negocio com o tempo para que sessenta minutos virem cinco. Te uso melhor, te juro! Escrevo cem páginas por dia, leio duzentas, te dou aumento de atenção aos sábados! Não. Nada feito. Quero vomitar. Mas a vida continua.
É junho. É segunda. É quase sete.  É quase bom. A saúde é fraca, o saco é grande, o tempo em greve. A alegria na sala de espera. E. Não quero. Não quero e. Não quero. Mas, às vezes. (Quase sempre). (Sempre, é o que dizem). A vida continua.

E a gente se acostuma.

"Um dia de salto 7, outro de sandália havaiana"

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