quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pequena nota sobre nós

A gente sempre quer ir.
A gente sempre quer ir para onde não está.
A gente já chega querendo partir.
Querendo alçar vôo.
A gente vai para Paris pensando nas cores de Barcelona.

Eu não sou diferente. Eu estou aqui pensando em fugir. O. Tempo. Todo. Não para a França ou para a Cataluña ou para a Europa que me carregue. Eu quero fugir para onde haja cama e sossego. Onde só exista eu. E você. Porque você eu aceito.
Eu sempre quero o silêncio das nossas vozes.
Eu sempre quero a solidão de nós dois.
Eu sempre quero ser a gente. Ou não ser nada. Ser só eu. E a luz do meu quarto acesa.
Como é que se vive em paz quando se é bicho de bando, e a idade passa e a gente só quer fugir da cidade?

Meus amigos conhecem pessoas. E saem no sábado à noite. Meus amigos enchem uma casa de gente com quem conversam.
Eu encho duas estantes de livros e um pote de lágrima.

A gente precisa escolher ficar, mesmo querendo ir. Só assim que se cria laços.

Eu sou feita de nós.

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