segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Preciso parar de só escrever na amargura

Querendo ser poesia às 10 para 5 da madrugada.

A poesia entalada na garganta

A poesia abre caminho na minha minha pouco perturbada mente, tenta sair pelos meus dedos que não são dedos, são garras e essas teclas são o que eu chamaria de A Rocha Solta no Precipício, mas eu deixo que a poesia se afogue em 1, 2, 3 ou mais copos de cerveja

Copos de plástico.

Corpos descartáveis. Corpos insanos. Almas mudas. Mentes caladas. Bocas escancaradas. Pessoas.

A música.

A música é alta e não há sentido na falta de sentimento, nas batidas que não são cardíacas, o ritmo que não é o do sangue, a musica é bombeada para dentro da minha cabeça e eu quero explodir! Eu quero ser stardust. Sejamos menos romântica, querida, menos romântica; não me sinto uma poeta do século XIX essa noite; na verdade, eu não me sinto essa noite. Eu quero é ser essa porra dessa fumaça artificial que enche essa porra dessa casa e todas as outras, o cheiro é doce e me faz tossir. Quero ser fumaça de boate e quero entrar pelas vias respiratórias de cada uma dessas porras dessas pessoas, o corpo insano, a mente vaga. A diversão em casas noturnas sempre me pareceu algum ritual pagão - vamos celebrar a vida tão irracionalmente quanto o ser humano pode ser, o álcool misturado ao sangue e a sede por felicidade queimando a garganta. Vamos erguer os braços e dançar em homenagem a um deus que nos abençoa com o pão e o circo.

Bebo o resto da minha cerveja, essa porra dessa cerveja quente, mas que caralho, eu penso, cerveja quente é o mijo do diabo! De qualquer maneira, viro a porra do copo plástico num ângulo de quase 90 graus, o liquido amargo desce pela minha garganta, escorre pelo meu queixo e eu deixo que ele percorra seu caminho até estar dentro da minha pele. Eu peço que me tragam outro copo, um copo bem cheio e gelado dessa cevada do inferno, dessa porra dessa bebida. Essa noite eu quero celebrar o deus do pão e circo, essa noite eu não quero ser iluminista. Não há luz de onde eu venho, a razão se fode numa trincheira, é uma guerra.

Guerra.

Eu tenho uma guerra dentro da merda da minha cabeça, eu tenho infinitas perguntas ao mundo, perguntas cujas respostas pairam no ar, voam leves levitando pairando pairam bem na frente da porra do meu nariz e quando pareço perdida - e eu sei que é essa a minha cara quase o tempo todo - eu estou apenas procurando: procurando as porras das respostas nas partículas de oxigênio e na poeira que dança à luz do sol. Eu estou em pé no meio do tiroteio, a trincheira vazia. A razão esquecida.

Bebi. Bebi grandes goles de cerveja. Bebi um ou dois ou cinco copos cheios de cevada gelada e essa noite nao foi a noite. Nessa noite a minha mente não se deixou seduzir pelo álcool e a promessa do êxtase. Essa noite a filha da puta da minha mente resistiu a mim, foi mais forte do que. Essa noite a minha mente continuou atenta e triste, essa noite eu não fui um deles, o corpo insano, a alma muda, a mente e a boca escancarada. Essa noite a cerveja me deu sono e eu quis me enfiar num buraquinho, um buraquinho qualquer, abraçar os joelhos e esperar tudo isso acabar; tudo: essas pessoas, suas necessidades, o mundo, enfim, a guerra. Essa noite eu senti dentro do meu nariz o suor nojento da razão. Continuei lá. Continuei em pé. Sou um saco de cicatrizes e remendos e toda essa bosta melodramática, a rainha do drama (deus, salve a rainha), ainda assim não passo mais de um dia na trincheira. Chame isso de força, coragem ou o caralho que quiser; pra mim, isso se chama: auto-destruição. Não há poesia em continuar.


A poesia é o sacrifício.

Dá pra entender?



Um comentário:

  1. Nossa, Camila! Sem exagero, cheguei a ficar arrepiada! hahahaha Adorei o jeito despojado e super sincero que você escreve. Me lembrou facilmente Bukowski. Ganho uma leitora, definitivamente! beijo grande

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