quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Babaquices, Brahma e outras coisas

Eu ando tao cansada de mim. Cansada para caralho. Tudo o que eu quero é não ser, não saber, não ver. Quero pegar o que eu sou: esse saco de lembranças, fundamentos, princípios, esse saco de óbvias opiniões, e jogar na porra da caçamba da rua de trás. Eu nem sei se tem uma caçamba na rua de trás.

Quero por um minuto do tamanho  da eternidade, estar em outra: outra dimensão, outra vibe, outra pele, outra mente, quero transcender. Um barato muito louco, uma droga alucinógena, eu queria ver as cores com outros tons, queria mesmo era ter os olhos em outros tons. 

Deus, eu quis tanto enfiar um canudo na cabeça - couro cabeludo, caixa craniana, foda-se os outros obstáculos, odeio anatomia (odeio qualquer coisa que não seja poesia)- até chegar nos meus desmiolados, quis tanto que saísse tudo ali por aquele buraquinho que não deve chegar a 1 cm de diâmetro.

Quis tanto, quis muito, quis! Mas a vida me nega a porra de um canudo e eu não tenho força na unha, eu não tenho um papel bom pra enrolar e fazer de canudinho, ou talvez eu tenha. Talvez eu tenha sim, mas tem sempre porras de pensamentos escondidos, bem escondidinhos, lá no meio dos meus miolos moles. Foda-se o canudo. Foda-se.

Ninguém, escuta aqui, presta bem atenção, ninguém ta dentro da porra da minha cabeça. Ninguém tem que me carregar no peito todos os dias, todos os segundos, até a porra da eternidade. Ninguém. Ninguém. Escuta aqui, presta bem atenção, que eu ja cansei. Eu ja cansei porramente de verdade, e essa bosta nem é uma palavra. Eu. To. Caindo. Fora. Daqui. De. Dentro. Eu. To. Arrumando. Minhas. Malas. Malas. Malditas. E. Eu. Vou. Jogar. Toda. Essa. Tralha. Na. Calcada. E vocês que se fodam pra achar o que lhes pertence.



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