sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Dia.


O cinza do céu entra pela janela do meu quarto e me cega. O dia está claro, tão claro que poderia ser branco, branco, branco, branco, o branco que fica nos segundos entre a explosão e a combustão. Estou com o dia no corpo e ele tenta sair pela minha barriga, mas oh, querido, não, não, não, não há um buraco de canhão por onde escapar. O dia come minhas entranhas, intestino grosso, o delgado agora, o dia quer sair dessa casca cheia de hematomas internos e dores venais, o dia quer explodir. BOOM. O dia quer ser explosão, o dia que ser combustão! O dia quer sair de mim. O dia quer. Mentalmente, repito: saia por meus dedos, escorra debaixo das minhas unhas, dia, dia, dia, seja o sangue que vira poesia! Mas o dia está cinza e é claro e o dia não sabe a força que tem. O dia dentro de mim sente a dor de cabeça que eu sinto e isso o mata. Essa coroa cravejada de diamantes (diamantes pontudos enfiados no meu cérebro) tem o peso de mil infelicidades e infinidades e todos essas coisinhas que a gente vai carregando, enfiando e enfiando no lóbulo frontal ou o caralho que seja. O dia é só um retângulo dividido em losangos e eu odeio. Quero vomitá-lo, meu corpo se contrai de tamanha ansiedade pelo não sei o quê. Meu pescoço está tenso e isso é só o dia tentando passar pela minha garganta. Dia. Me deixe. Preciso descansar.

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