domingo, 18 de novembro de 2012

Chamei minha loucura de Bukowski e desejei não estar lá



Eu estou entrando em parafuso. Ficando maluquinha da silva. Doida de pedra. Eu com a cabeça enfiada no concreto, e o mundo enfiado na minha bunda, me rodando até eu abrir um buraco na parede. Meu crânio já não é um crânio, é mais uma massa pastosa, uma mistura de miolos com pedaços crocantes. Eu estou entrando em parafuso e to precisando me parafusar em algum lugar que me mantenha. Ou deixar o quadro cair e dançar em todos os mil pedaços de vidros a minha volta.

Eu estou entrando em parafuso e não há nada que você possa fazer. Ou que eu possa fazer. Ou que eu queira fazer. Porque é isso que eu quero: acordar de manhã e sentir que to enlouquecendo, um passo de cada vez, bem devagarinho, uma loucurinha que não faz mal a ninguém – não faz mal a mim, eu quero dizer. Chegar na hora do almoço passada. P-a-s-s-a-d-a, entendeu? Feito uma amora que a gente pisa e meleca o pé todinho. Passada de tanto ser parafusada.

Eu estou entrando em parafuso. E quero que me deixem. Quero estar só, quero respirar só, pensar só, falar só. Quero ser a típica lelé da cuca que conversa sozinha na fila da padaria. Coisa mais egoísta, você me diz. Menina mais egocêntrica. Mas eu estou entrando em parafuso. Sozinha. É o meu cérebro sendo moído, meu coração e minhas estranhas sendo remexidas até virar uma maçaroca de ansiedade e pequenos surtos de pânico. To aqui pirando sozinha, não to? Pois bem. Quero um jantar à luz de velas com a minha Miolomolisse, eu e ela. Jantá-la e pedir outra rodada. Sozinha.

Estou entrando em parafuso. Entrando feito um parafuso pelas semanas que não passam, ainda inertes na curva em que Murphy me pegou. Estou parafuseando entre os dias, abrindo espaço entre as horas com as minhas próprias unhas. Eu estou entrando em parafuso, as mãos cheias de sangue imaginário, sangue dramático. Eu estou entrando em parafuso. Eu estou entrando em parafuso. Eu. Eu. Eu!






O Eu quer dormir.

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