quinta-feira, 7 de junho de 2012

Maldita âncora


Pensei que me faltasse algo.Talvez me faltasse coragem. Talvez me faltasse romantismo. Maltrato a vida como um malandro maltrata sua mulher, depois a beijo e a encho de carinho como apenas um sujeito do mundo seria capaz de fazer. Não há romance. Mas, no fundo, não me falta nada: eu apenas não quero que a vida seja assim tão importante para mim, embora seja. Eu quero me desapegar da vida. Da vida que eu levo. Vê? Eu quero que meu desapego venha em forma de passagem área. Ou de vontade de correr. Correr pelo mundo e deixar que meus cabelos rebeldes voando a minhas costas dêem um adeus decente ao que ficar para trás. Há coragem suficiente em mim para me afogar no oceano, mas me falta força de vontade para nadar contra a maré. Às vezes me pergunto se essa redenção suicida não seria covardia. Qual medo temos que vencer se o resultado de nossos atos é a morte? A morte em vida. Não há monstros a enfrentar se não houver o desconhecido.






3 comentários:

  1. "Não há monstros a enfrentar se não houver o desconhecido."

    É sempre bom voltar aqui e ver que sua cabeça é uma máquina desenfreada de fazer reflexões.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  2. Em tempo: sendo essa a qurta vez que leio o seu texto, encontrei uma parte de minha própria biografia nas entranhas do seu escrito. Sou escravo alienado de uma rotina que "garante" meus recursos financeiros. Uma rotina que não pertence ao meu querer, mas faz parte de minha vida, à qual sou casado e o divórcio é um procedimento complicado.

    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "à qual sou casado e o divórcio é um procedimento complicado" Sinto-me da mesma maneira. E nessas horas lembro-me disso: http://naoshad.com/wp-content/uploads/2012/03/The-Same-Place3_thumb.png e acabo sentindo-me ainda pior.

      Excluir