domingo, 1 de abril de 2012

O feitiço vira contra o feiticeiro

Queria passar o rímel, passar o blush, pentear o cabelo e me sentir carregando um segredo bonito enquanto eu canto músicas melosas carregadas de vozes apaixonadas e acordes de amor. Queria sair de casa com a cabeça erguida, não pelo orgulho, mas pelo coração estufado no peito de tanta felicidade e contentamento e paz e todas essas coisas bonitas que a gente sente.

Queria sentir mariposas no meu estômago como insetos em volta da lâmpada, porque borboletas são lindas de mais para apodrecerem dentro de tanta ansiedade. Queria que as borboletas de mim estivessem sustentando meu sorriso incansável. O sorriso que acorda beijando o travesseiro, pois eu já acordaro pensando em você. Queria mesmo que esse sorriso só me abandonasse na hora de dormir. Ah quem eu quero enganar? Já que até dentro dos meus sonhos as borboletas me perseguem?

Queria sentir os pelos da nuca se eriçando com a simples menção de tal pronome pessoal, como se esse fosse o encantamento que hipnotiza meu corpo, coração e outros órgãos internos. Queria ser sua ninhada de cobra e você meu homem da flauta.

Queria não ter todas as emoções que me servem estufando minha cabeça. Queria não saber que eu sinto tanto, queria sentir que sei. Queria mesmo era sentir. Queria pegar o primeiro ônibus que aparecer, fusca, caminhão, ô moleque, me passa sua bicicleta, e ir para aquela porcaria de consultório naquela porcaria de cidade, meter os dois pés naquela porta sofisticada de madeira, e gritar em alto e ótimo som, para que o mundo e, especialmente, eu, possa ouvir: EU QUERO SENTIR. Morra com esse Lexapro. E me deixa sentir!



Um comentário:

  1. Camila ! Lendo o seu texto lembrei de mim, aos 20 anos (tenho 26, indo pros 27)
    Mas reclamando de exatamente o contrário: por que diabos eu sentia tanto ? eu não queria sentir. Doía demais ! Pensei em uma intervenção medicamentosa, mas acabei me deixando consumir, e o sentimento foi apaziguando. Já não me queixo tanto, mas sinto que fiquei com a casca meio grossa sabe? Naturalmente. Meio que Forçadamente. Infelizmente. Sinto falta daquela sensação sufocante. A apatia por vezes toma conta de mim.

    E entendo, hoje, a sua necessidade de SENTIR.
    Sentir nos faz sentir vivas, mesmo que com dor.

    Torço para que você consiga voltar a sentir, de verdade. Que o seu doutor te entenda, que ele tenha coração.

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