segunda-feira, 30 de abril de 2012

Café e um pouco disso aqui.


Dormi tarde e acordei cedo. Entre o primeiro e o último sono, tive sonhos tão ruins que eu desejo não poder lembrar. É. Não quero lembrar. Pensar. Mas passo o dia sentindo aquele pedaço de inconsciente que me diz que não, não está tudo realmente bem, a cicatriz ainda está ali, vermelha, viva, como se tivesse existido antes mesmo do machucado sarar.  

Essa cicatriz idiota que é mais como um transtorno obsessivo-compulsivo, uma mania, uma propensão. Uma coisa babaca. Ridícula mesmo. É mais ou menos como pedir um milk-shake de chocolate e acabar deixando o copo cheio na sarjeta, atravessar a rua e pedir um café forte e sem açúcar. O milk-shake refresca, é doce e o chocolate estimula a produção de serotonina. Ótimo. Mas o café te mantém acordado. Acordar meio que significa estar vivo. Ou sentir que está vivo. Eu necessito me sentir viva.  Eu necessito sentir. Mesmo que a única maneira de sentir a vida seja sentindo toda a sua dor. A dor do mundo. A dor de tudo o que não dói, não importa, não significa e não merece uma lágrima, sorriso ou abraço.

As luzes brilhantes me doem como me dói todo o resto. As luzes que me dizem que ainda não acabou. Me doem de uma maneira tão suave que chega a ser apenas um incômodo. Um incômodo boboca se não me fizesse lembrar que o dia ainda está acontecendo e eu não tenho alternativa, desejo ou direito sobre como isso tudo vai terminar. Sobre como nós vamos terminar. Sobre como eu vou terminar.

Me terminar. Me acabar. Me desgastar. Serei menos que a borra do café de tanto sentir.





Que seja bom. Será bom. Porque você é bom. Percebe?

Um comentário:

  1. Discordo que acordar é se sentir vivo. Eu acordei por tempos todos os dias de manhã, com um sol raiando pela janela e não sentia as veias trabalhando firme dentro de mim. Não sentia o pulso pulsar.
    Mas há sempre uma nova maneira de se sentir vivo, por mais que pareça que não há.
    Pode ser com um shake doce, com um café amargo ou então com um olhar. Isso vai depender do ponto de vista e da vista que nos olha.

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