sábado, 10 de março de 2012

Bolo de chocolate e outras doenças.

- Seu doutor, faz alguma coisa!
- Mas o que lhe aflige, menina?
- Eu!
- Sim, você. O que acontece?
- Eu!
- Ora, criança, não faça essas palhaçadas no consultório de um psiquiatra! Vai que eu decido te jogar num hospício? Agora me diga o que te perturba.
-  Eu, doutor, eu me perturbo! Existe algum remédio que cure a gente da gente mesmo? Porque eu acordo e não me quero, eu tomo banho e não me quero. Eu não me quero tanto que não ouso me impor a segundos ou terceiros. Já é o suficiente eu ter que me aguentar. E ter que me levar. Doutor, pelo amor de Deus, como é que eu faço pra arrancar esse tumor maligno de mim que sou eu?
- José Carlos, venha cá, faz favor?
- Sim, doutor?
- Amarra e liga pra Casa da Santa Paz. Temos outra adolescentizinha com complexo de Narciso ao inverso.
- Claro, doutor. Mais alguma coisa?
- Me traz aquele bolinho de chocolate antes do próximo paciente, por gentileza.

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