quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Iolanda.


Ela é uma menina bonita com cabelos longos. E negros.
Hoje ela morreu. Que merda é essa? Ela pensou. Não é possível que eu morra só porque eu não tomei café da manhã. Não é possível, mas isso acabou de acontecer. Eu acabei de morrer por, sei lá, quase meio minuto. Talvez mais trinta segundos e eu nunca mais voltasse. E quem saberia disso? Roberta, a colega de quarto, passava mais tempo naquela biblioteca fedendo a mofo do que na própria vida. Voltava para casa de madrugada, quando Iolanda já estava perdida em algum bar, e saía pela manhã, quando Iolanda ainda estava no metrô a caminho de casa. Às vezes se trombavam aos domingo às 6h, quando ela se largava no banco da praça por não conseguir andar até em casa, e Roberta passava fazendo sua caminhada dominical, usando calças legging preta e uma camisetona da faculdade. Talvez minha mãe estranhasse minha ausência no Natal. Ou talvez não. Talvez ela chegasse mesmo a pensar que eu fui para o Nepal com algum magnata. Ela não me leva a sério. Ninguém me leva a sério. Eu não me levo a sério. Vai ver eu não morri porcaria nenhuma.
Tanto faz.

Um comentário:

  1. Eu não sei porquê mas adoro esse nome Iolanda. Penso em colocar na minha filha. Deve ser por causa da música do Chico Buarque.

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