domingo, 15 de janeiro de 2012

Orpheus melted the heart of Persephone

Eu quero um amor de verão.
Não porque essa estação mexa com os meus hormônios, ou porque eu queira um surfista bronzeado de prancha de isopor para ocupar mais um espaço inútil na minha lista inexistente de caras que eu já beijei. Não que eu esteja atrás de um calorzinho descompromissado no meio das pernas, que suba até virar um arrepio no meio do meu coração, e morra por ali mesmo - sem chances de virar uma neurose. Nada disso.
Eu quero um amor de verão que dure três meses. Três meses de sol e beijos ao invés de dois anos ridículos de espera inútil e de corpo todo querendo e coração doído de amar sozinho. Um amor de verão no inverno, no outono, que me deixa em paz na primavera. Que me deixe ver o milagre que são flores nascendo sem que eu fique pensando a injustiça tremenda que é algo tão bonito florescer quando eu me sinto um lixo.
Eu quero um amor de verão porque a minha mãe diz que só um amor novo cura a dor do antigo. E, sinceramente, tô de saco cheio desse querer-não-te-querer-já-querendo e tô de saco cheio de olhar na tela do celular vinte e quatro mil vezes por dia esperando que alguma entidade romanesca tenha te possuído. Mas se nem eu consegui te tocar, como isso é possível?
Quero um amor que não permita que eu me iluda com essa coisa de "eu vou estar sempre aqui pra te ajudar" e que eu não me sinta tentada a acreditar nos beijos e nas palavras carinhosas. Quero um amor que não me faça gritar por dentro, chorar por fora, me sentir um bichinho acuado, quando atingir o prazo de validade.
Quero um amor de verão que não me deixe em casa num domingo ensolarado só porque está com medo de gostar mais. Só porque é tão fácil ignorar outra pessoa. Só porque um dia vai acabar e vai doer. Quero um amor de verão que não vire montes de folhas murchas no outono. Folhas murchas me lembram o que passou e eu gosto do que fica. Eu quero um amor de verão que seja tempestades sempre que impossível evitar, mas que o sol volte e o calor faça a gente arrancar a roupa e dormir suados, grudados, lambuzados.
Quero um amor de verão que não seja você. Porque você não me quer.




P.S.: mas se me quiseres, eu faço sol e faço chuva e juro nunca te deixar tremer de frio. Ou medo. Ou insegurança. Nunca mais.

3 comentários:

  1. Ainda que de forma despretensiosa...Acredito no seu grito desesperado por ser amada!Então! Que viva o amor e suas amarguras.Beijo,Beijo,Beijo :-BYJOTAN.

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  2. Não sei se entendi direito... Você quer alguém que se doe e não te faça sentir obrigada a se doar, é isso? Ah, achei que fosse a única a querer isso, e que fosse a única a saber que tudo tem prazo de validade, que dói quando ele chega.

    Leonina, despeitada e contraditória, curti seu blog e me identifiquei contigo ;)

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    1. não exatamente. Acho que eu quero mais uma coisa sem doações demais

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