sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O príncipe perdeu a espada

Você é só mais um cara babaca que pensa que o amor da sua vida tá por aí, perdido em algum canto de Campinas e região, e fica citando no Facebook todas as músicas bregas que você conhece sobre amor. E eu sou uma menininha metida a descolada que finge perfeitamente mal que tá pouco se fodendo pra essa cafonisse que é ter alguém pra chamar de meu, fingindo que o orgasmo só acontece mesmo no meu intelecto super bombado por todos os livros descolados que eu já li e por todas as viagens descoladas que eu ainda farei. Enquanto, na verdade, o que eu quero é peito quente de homem pra usar de travesseiro e bafo de uma noite maravilhosa pela manhã. Aqui na minha casa mesmo, nesse fim de mundo e na minha cama box de solteiro. 
Você eu já peguei e foi assim que eu aprendi a pegar sem me apegar. Foi só um beijo muito bom no banco da praça, nada de realeza ou cavalo branco por aqui.
Aquele outro fulando foi a coisa mais gostosa que me aconteceu. Com ele eu aprendi que a gente sofre o pão que o diabo amassou, assou e cagou em cima. E que no fim a gente supera com um monte de texto melodramático sobre como eu tô sofrendo e que merda é você não me querer. Às vezes eu acho que você é meu príncipe desencantado: uma porra de um príncipe moderninho que te larga logo depois que o "Felizes para sempre" acaba. Que eu sendo feliz para sempre tenho uma crise idiota de depressão pela primeira vez em meio ano. Você foi embora e deixou o cavalo branco para me encher de coice no coração.
Que se foda. De mocinha boboca virei amazona linda e destemida e tô de saco cheio dessa coisa de príncipe, de sapo, de lobo mau. Quando eu era mais nova eu a-do-ra-va um lobo mau. Adorava um cafajeste pra me fazer de trouxa. Pegou metade da escola e fez todas aquelas piriguetes de otária? Eu quero. Não me chamou de minha linda e não disse que meus olhos são demais? Tô apaixonada. Me pegou - quando quis, onde quis e do jeito que quis - e depois parou de responder minhas sms? Quero mais! Mas isso é coisa de adolescentezinha acéfala.
Eu agora sou quase uma mulher. Quase porque ainda me falta coisas básicas, exemplo: um scarpin. Você não é uma mulher ultramoderna até ter um scarpin, aprender a passar sombra com louvor e ter seu próprio carro sujo de maquiagem e cheio de sapatos pelo chão. Sou uma quase-mulher. Uma quase-mulher não se interessa por lobinhos, pelo Caco ou por um príncipe com cara de Justin Bieber - a não ser que seja o príncipe Harry, mas ele é um senhor pão inglês (e eu jurando que tinha superado os cafajestes). Uma quase-mulher quer um homem. Um homem inteiro.
Um homem inteiro que troque a lâmpada do meu quarto, carregue minhas malas pesadas e saiba quando é preciso trocar o óleo do meu carro ou que barulho estranho, sabe? mais ou menos assim popopopoffffff, é aquele saindo do motor. Um homem que não fuja coachando ou finja ser o belo adormecido, quando eu ligar chorando às 3 da manhã porque eu tô de TPM e não gosto de chorar sozinha. Um homem que continue inteiro ao meu lado quando eu me quebrar em mil pedaços e não souber ser gente. Um homem que não vai perder o tesão por mim depois que as minhas bizarrices deixarem de ser engraçadinhas. Eu não sou tão egocêntrica a ponto de achar que o mundo tem que aguentar meus dramalhões diários e ainda me trazer chocolates. Mas eu desejo do fundo do meu coração mole, que você queira fazer tudo isso.
Eu tô começando a achar que esse tal do homem inteiro é mais fantasia que o príncipe encantado.

Um comentário:

  1. Adorei sua franqueza a cada pedaço do texto. O problema dos príncipes é que eles não tem a realeza dentro de sim.

    Seguindo, amei seu blog. De verdade.

    http://eppifania.blogspot.com/

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