sábado, 21 de janeiro de 2012

Mijo de camelo

Sentei na mesa do bar e dei um gole no chopp quente. Eu odeio chopp quente e tô sempre largando restos no copo, mas essa sexta-feira merecia toda a cevada do mundo e eu me sentia ótima até mesmo quando bebia aquela coisa nojenta com gosto de xixi.
Na mesa ao lado estavam sentadas duas mulheres:  uma loira oxigenada-luzes-para-ficar-suuuuuper-natural e uma morena com o cabelo-preto-sou-biscate-cor-de-piche até a bunda. Elas pareciam ter um assunto sem fim. Provavelmente, qualquer coisa sobre aquele gato que não ligou, a vadia que tá saindo com o ex, e como aquele vestido preto curtérrimo ficava de arrasaaaaar nela. Você gostou, flor???? Paguei cinquenta pilas na promo daquela loja iraaaada no shops! Vai rolar uma micareta amanhã e é imperdíiiiiivel, todos os gostosões de Americana estarão lá e tem o Rodrigo, aquele pedaço de pão!!!!, que tá me dando suuuper mole: com certeza ele aparece amanhã - e aí sou eu que vou dar pra ele, mole, duro, de todos os jeitos HAHAHAHAHAHA. O Rodrigo??? Aquele que tem aqueeeele tanquinho e é super parecido com aqueeeele gato do BBB? Nossa, amiga, ar-ra-soooou!!
Sou uma sujeitinha de mente estreita e preconceituosa. Na verdade, eu nem sei se o vestido era mesmo preto ou curto ou que porra ela tava vestindo. Eu estava satisfeita demais pra ficar reparando no pedaço de pano da moça da mesa ao lado. E por quê inferno duas amigas bebendo chopp preto (E QUEM CONFIA EM MULHER QUE BEBE CHOPP PRETO?) sozinhas no bar estariam falando tanta merda assim?
Vai ver a morena levou um pézão na bunda do Tiago-bombado e a loira, simpática e boa amiga que é, tava lá consolando a coitada (antes de pegar o tal na micareta imperdíiiivel): ele é mesmo um filho da puta cafajeste, amiga! Você consegue outro miiiil vezes melhor. Ele nem te merece blablabla. E você mesma disse que o pinto dele é pequeno.
Ou então, elas podiam estar discutindo Sartre. Chopp preto, filósofo parisiense e salsichão alemão. A sexta-feira perfeita. Nunca li Sartre, tô aqui bebendo mijo de camelo e me achando melhor que as duas. Eu sou mesmo um lixo de ser humano.
Afinal, elas poderiam ser duas executivas importantíssimas de alguma multinacional, relaxando os sapatos importados, depois de uma semana estressante e da jornada de puta que é trabalhar num empresa grande. Conversando sobre a mais nova aquisição do grupo e como aquela secretária do chefão é uma vadiazinha. Certeza que ele come aquela vaca na hora do almoço.
Duas executivas fodonas e lésbicas. É isso. A loira oxigenada-luzes-para-ficar-suuuuuper-natural e a morena com o cabelo-preto-sou-biscate-cor-de-piche até a bunda. O chopp preto é só uma prévia do champanhe na banheira daquele motel luxuoso na beira da estrada. Elas vão passar a noite de sexta-feira com alguns dedos que valem mais que todos os homens daquele bar. Consigo imaginar um filme pornô inteiro em 30 segundos e o título: Xoxotas em Terninhos Vão à Caça parte II. Ou sei lá que nome teria um filme pornô lesbian.
O garçom coloca outro chopp na minha frente e leva embora aquele mijo quente e nojento. As pessoas na mesa conversam sobre qualquer coisa que eu tenho preguiça demais para prestar atenção. E eu tô morrendo de sono.

6 comentários:

  1. Não sei se é preconceito. Talvez bom senso, minha cara Camila. E chopp escuro realmente não é uma boa pedida. Tome logo um leite com bastante Toddy que é melhor.

    Excelente, com sempre, Camila.

    Abraço.

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  2. Não saber o que é preconceito não justifica voce ter, muito menos assumi-lo
    Se o colega acima acha que é bom senso, va ler mais!

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    1. querido, se você acha que eu mão sei o que é preconceito então, por favor, me explique. Não me diga que eu estou errada sem me dizer o que é o certo. Adoro aprender.


      Abraço.

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    2. "As ideias pré‐concebidas ou pré‐conceitos fazem parte da relação do homem com o mundo. Isso significa dizer que o conhecimento não seria possível sem alguma informação
      anterior sobre o objeto que se pretende conhecer porque é necessário algum ponto de partida para a relação com ele. Assim, a relação sujeito‐objeto no momento do conhecimento envolve um caminho duplo: o sujeito parte de algo conhecido para começar a entender o objeto desconhecido e o objeto deixa alguma marca nova no sujeito, permitindo que algo novo seja acrescentado a ele. Essa dinâmica ideal não diz respeito aos preconceitos. Mas quando, por um lado, o sujeito se fecha para conhecer o objeto, preso unicamente aos seus conhecimentos prévios, ou quando, por outro lado, o sujeito se abre exageradamente ao objeto, sem sobre ele refletir a partir das suas próprias opiniões, temos então a dinâmica do preconceito."
      CROCHÍK, José Leon. Preconceito: indivíduo e cultura. 3a edição. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.
      http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=zehtB3B4l6YC&oi=fnd&pg=PA7&dq=Crochik+O+conceito+de+preconceito+&ots=GPkiL-c4kO&sig=j_R8EKkUb8HDndz_uAvqXDI0umo&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false

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    3. Tá. Desculpe minha burrice. Então você quer dizer que pelo fato de eu ter imaginado outras situações em relação às duas moças e não ter me prendido somente à uma opinião, eu não fui preconceituosa?
      Nunca tinha visto a coisa por esse lado.

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    4. bom primeiro que eu não tava falando de voce
      voce tem seu blog ai e sua liberdade de escrever o que bem imaginar, pelo meu ver voce pode nem ter ido ao bar da historia e imaginado tudo isso do seu quarto
      o que me indigno foi o comentario falando o "[...] talvez bom gosto"
      ai sim ta o juizo de valor.

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