terça-feira, 10 de janeiro de 2012

É.

Passei a tarde chorando só porque vi a porcaria do seu nome num status do Facebook. Esqueci de tomar o remédio, esqueci de tirar o pijama, esqueci de arrumar qualquer coisa para ocupar minhas férias. Eram duas horas da tarde e eu estava chorando feito uma menininha boboca só porque você ainda tá vivo e não me quer mais. Só porque você conseguiu superar tão bem o que eu daria a bunda e a minha sapatilha mais que perfeita da Arezzo para ter de volta. Chorei horrores feito uma babaca e fiquei a tarde toda enchendo o saco da minha amiga e, convenhamos, hoje em dia quem não tem o saco já estufado com seus próprios problemas? Ela o tempo todo me dizendo o quanto eu estava no caminho certo, o quanto a minha vida estava boa, o quanto eu sou boa e a idiotisse que era ficar deprê porque uma paixonite qualquer não sabe me dar valor e eu dizendo que não, não, não, não quero África, não quero silicone, não quero porra nenhuma dessas migalhas de felicidade que eu fico catando por todos os lados, não! Eu quero é me enfiar naquela cama e esperar encostada no balcão da cozinha enquanto ele dá ração para cachorra.
Eu deitei na cama toda encolhidinha, como eu costumava deitar quando eu era criança e ficava emburrada porque algum primo panaca estava rindo da minha cara. Chorei, chorei, chorei, chorei chamando a minha mãe, chorei pedindo que Deus, por misericórdia, trouxesse você de volta para mim ou sei lá, só não me deixasse cair de novo, por favor, Deus, tira essa merda de mim, chorei, chorei, chorei até aquela maldita dor no peito me deixar sem ar e eu pegar a bula do Lexapro me perguntando se eu tomasse uns 10 comprimidos eu conseguiria dormir ou pelo menos ficar inconsciente tempo suficiente para essa merda de carência e essa merda que é querer alguém que não te quer passar. Mas uma dose excessiva de Lexapro só me daria náuseas e vomitar, para mim, é quase pior que é um pézão na bunda.
Peguei o tarot, respirei fundo, passei toda a minha energia para as cartas e fiz a pergunta inevitável: E agora? O que vai ser de mim agora? Mas o tarot não funciona no meu desespero, me falou qualquer coisa sobre dinheiro e questões judiciais e eu pensei, não, porra, não, me diz que o próximo sapo vai ser, no mínimo, ajeitadinho e menos asqueroso que o resto do filo e não vai sair por aí coachando quando as minhas crises de depressão chegarem de mansinho apertando meu peito, minha cabeça, tirando meu ar. Me diz que esse ano eu vou ser linda, maravilhosa e que esse cara que eu fiz a estupidez de deixar entrar em mim vai parar de me bagunçar, vai cair fora, vai para casa do diabo, ou vai voltar e vai abrir a janela desse meu coraçãozinho que tá mofando e vai deixar o sol entrar e vai ficar tudo bem de novo.
Mas o tarot britânico não me disse nada disso e eu não me identifico muito com o de Marselha, a minha terapia é só na quinta, minha mãe só chega daqui umas duas horas, minha amiga continua falando em como eu não posso cair de novo e aí eu abri o Blogger, que já tá nos meus favoritos, e comecei a digitar qualquer coisa sobre qualquer coisa que eu to sentindo e aqui estou eu dando lenha para esse povo que pensa que eu vou me matar em três, dois, um e nunca viram uma novela mexicana na vida ou leram livros além dos Top 10 da Veja, para entender que sim, a raça humana pode ser infeliz para caralho e isso não é nenhum crime ou doença contagiosa, me deixem em paz.
Passou. Valeu, Le Blog.

Um comentário:

  1. Caramba, menina, como você escreve! Adoro o fluxo das suas palavras, mesmo ele sendo para expressar algo de ruim que está se passando.
    Peço desculpas se isso soa meio insensível, mas é que os formalistas russos me ensinaram a analisar o texto por si próprio, sem levar em consideração o fator externo que o levou a existir. Maldita faculdade.

    Força aí e forte abraço.

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