quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Da série "Já dizia meu pai"


Tenho uma dessas famílias estranhas em que os pais ainda estão casados, são tão apaixonados um pelo outro quanto um casal de adolescentes e a gente tem manias antiquadas, como dar beijo de boa noite e conversar sobre as coisas bizarras, anormais, ou sei lá, qualquer coisa que aconteça - com a gente ou não. Ontem, depois da janta, eu tava de pijama sentada no braço da poltrona do meu pai, ouvindo os dois conversarem sobre o dia de trabalho e tirando com a unha as pelinhas da minha perna, barriga, peito, ombro, tudo descascando e minha fantasia de caiçara desbotando.

- Tô vendo que eu vou conseguir uma vaguinha no Senai de Paulínia
- Ah é? Como?
- Tem um professor que dá aula comigo que saiu de lá e disse que me arranja para o semestre que vem, se eu quiser.
- Hmm.
- Olha, vou falar, viu, esse aí até eu queria como genro. O moleque deve ter uns 20, 21 anos, é soldador mas nunca trabalhou em firma, só deu aula. Entrou no Senai, se destacou tanto que terminou o curso e já foi para frente da sala de aula.
- Mas ele é bonito, pai?
- Ôoo, pior que o cara é bonito mesmo. Tá fazendo uma faculdade de engenharia-sei-lá-o-que, super dedicado. Oh, o cara é gente fina.
- Poxa, Liz, e por que você não arranja ele para essa sua filha com cara de lua cheia?
- Ah... é que a gente não aconselha pros outros o que a gente não quer pra gente, né....
- Mas pai, você acabou de falar super bem do cara. Der.
- Exatamente! Vai que eu perco a amizade...

Fui dormir ameaçando colocá-lo num asilo ilegal, em Sumaré, cheio de rato e comida ruim.

2 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk....eu li isso ouvindo as suas vozes...mas seu pai te trolou legal ein Mila....
    #esseémeuirmão...kkkk

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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