terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O dia tá quente como se tivessem ligado o ar condicionado do inferno. Quente para cacete logo às oito da manhã. Enrolo o cabelo num coque desajeitado - já dizia minha vó que eu tenho duas mãos esquerdas. Quero praia, quero piscina, quero um saco de picolé, quero mudar para o Pólo Norte. E quem não quer, né, queridinha?
Entro no fretado e não tem lugar na janela. Nunca tem lugar na janela de manhã. Sento do lado de uma pessoa que eu nem lembro o rosto e coloco o fone no ouvido. Arctic Monkeys, Despair in the Departure Lounge no repeat. Olho o campo e o céu azul e todas essas coisas que fazem o mundo valer a pena. A mulher do meu lado não abre o vidro e eu me pergunto o que diabos há de errado com ela, por quê ela iria querer sufocar o vento nesse calor infernal.
Desço do ônibus ainda com a voz do Alex Turner na cabeça she won't be waiting for you when you land, quando acontece. Numa fração de segundo eu vejo o amor da minha vida. Em umas três frações de segundo eu já consigo imaginar nossa vida juntos, os passeios de carro pela estrada que vai para qualquer lugar, o Sol no cabelo e aquele óculos Rayban Wayfarer emoldurando aquele rosto lindo de anjo, aquele ombro largo me abraçando do mundo. Imagino nossa casa aconchegante como um mostruário da Etna e cafés da manhã que deixariam qualquer comercial de margarina no chinelo. E ouço and half wonder if you won it at all.
E ele passa. A música acaba. Fica o perfume e o refrão e o calor queimando minha pele. Oh meu Deus, por que me fizestes assim? Amores de estação de meio minuto. Um segundo a mais e já acabou a paixão.




P.S.: a qualidade do som tá péssima, mas vale ver o vídeo pelo lindo do Alex Turner.

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