quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Eu poderia me entregar a você. Poderia mesmo. Esse seu jeito de incompreendido pela raça humana, meio desengonçado, meio pedindo por cuidado, meio to pouco me fodendo pra essa merda toda. Essa sua voz de sono. Esse calorzinho, que começa em algum lugar no meio das minhar pernas e termina ali perto do coração, quando eu ouço sua voz de sono. Essa coisa de querer precisar de mim.
E eu nem ficaria imaginando qual seria o nosso fim. Tá, mentira. Isso eu faria pelo menos umas duas vezes antes de dormir, e pensaria coisas do tipo você me largando porque eu sou uma louca amargurada e dramática que só sabe reclamar da vida, da roupa, do cabelo, etc. Eu chego a imaginar diálogos inteiros na minha cabeça. E aí eu acabo sofrendo algum tipo de acidente ou descubro que tenho alguma doença terrível como, sei lá, um tumor no cérebro (valeu doutor neurologista por pedir uma tomografia craniana e acabar com a minha história favorita. Palmas para você) e você vem correndo chorar no meu leito do hospital, dizendo o quanto me ama e que não vive sem mim, blablablabla.
Me perdoe pela minha mania literária.
Eu poderia ser tão sua, tão nossa. Tão a gente deitado na cama falando de tudo o que nos machuca e sabendo que o outro vai cuidar de todas as feridas com carinho. Tão a gente indo acampar no meio do mato num sábado só porque não tem nada melhor para fazer, e a gente bebendo até tarde no buteco e tendo conversas tão filosóficas e tão toscas e falando sobre música e sobre como o mundo nos sufoca. Mas eu acho que eu te sufoco. Por que eu chego sendo tão eu e te invado. Não sei ser menos nem mais ou menos. Não sei ser morna. Eu seria tão sua que você acabaria sendo eu.
Você poderia ser eu de carne, osso e coração. E vasos menores e artérias. Poderia. Se eu não fosse tão minha. Tão, mas tão, mas tão minha, que não quero me dividir com ninguém. Me queiro inteira aqui comigo, nessa cama no meu momento de paz, de roupão depois de um banho gelado, escrevendo nesse blog e mandando recados bobos para as amigas.
Me quero só para mim. Não quero me doar. Não quero. Te imagino sendo tão único, tão fora dessa realidade, da minha realidade, mas a verdade é que eu já fui tanto de outro que me dói tentar ser de alguém de novo. Não. Não quero mais pedaços me faltando, não quero mente mais lá do que aqui. Aqui comigo. Sou tão egoísta que não quero me dividir com mais ninguém que possa me amar mais do que eu me amo.

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