domingo, 18 de dezembro de 2011

Acordei cedo no domingo. Queria ter ficado enrolando na cama até duas horas da tarde, mas não posso me dar esse luxo, não quando passei a noite de sábado lendo Lasher. Nada contra Lasher, quisera eu ter um demônio tão sedutor na minha vida. Não. O problema foi ficar em casa. O problema foi, e sempre é, ter tempo demais para pensar no que quer que seja. Não posso pensar.
Não sei vocês, mas felicidade para mim é uma batalha diária. É não enrolar na cama, é deitar para dormir só quando o sono já venceu. Felicidade para mim é não esquecer as 10mg diárias de Lexapro e ter sempre alguma coisa para fazer. Porque se eu paro, aaah... se eu paro, meus queridos, é um monte de diabrete a me encher a cabeça - meus demônios particulares. Quisera eu que a felicidade fosse peitos grandes, bumbum durinho, e uma barriga sarada. Quisera eu que felicidade fosse ter um namorado gato e rico. Quisera que felicidade fosse uma peep-toe Loubontin. Bom, mesmo assim eu não seria feliz, não com essa preguiça sedentária, achando metade do mundo babaca e gastando todo meu dinheiro em livros.
Ser feliz me cansa.
Aceitar quem eu sou e fazer o melhor que eu puder com isso. Tá, legal. Mas tem dia que eu daria a bunda para ter nascido engenheira-qualquer-coisa e ser racional para caralho. Sentir demais pode ser exaustivo de vez em quando. Sentir demais é  uma merda. Sentir todos os sentimentos do mundo nuam fração de segundos é uma puta duma merda. E dói.
Tem dia que eu queria só relaxar. Queria só não estar em vigília o tempo todo, queria só ter pensamentos negativos sem ter medo de cair em depressão e passar mais três meses vivendo como um zumbi idiota. Que vida é essa que a gente não pode ter um pensamento negativo em paz? Que a gente nem pode ter TPM sem alguém dizendo que eu vou superar isso também? Deus me perdoe dizer isso, mas tem dia que eu tenho é uma puta duma vontade de me entregar a esses meus demônios e passar a vida num manicômio chorando a sorte maldita da formiguinha que se perdeu.
Eu reclamo como uma velha que não é comida há quarenta anos. Pelor amor de Deus! Até meus demônios são menos entediantes.

2 comentários:

  1. esse negocio de ser velha nao comida é extremamente machista

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